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Escrito por Pedro.Peter.Drão às 14h08
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Escrito por Pedro.Peter.Drão às 09h30
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Prefixo

“Quando você chegar

Numa nova estação

Te espero no verão”

 

            Levei mais ou menos uns 18 anos pra entender a importância do verão.

Antigamente eu era igualzinho a alguns paulistas, detestava o sol, o calor, os trópicos, achava tudo isso um nada amontoado. Gostava do frio e daquela pasmaceira típica de chá blá blá blá. Aquele desejo enrustido de paulistano querer ser europeu, um desejo que hoje pra mim soa muito esquisito, por simplesmente não ter mais essa empatia tipicamente paulistana com características européias.

Desse tempo até hoje, foi um sacrifício descobrir que não é apenas o sol. É um apanhado de situações, acontecimentos e mudanças que forma o verão.

 

O que eu realmente quero dizer é que essa sensação de término do ano (quando parece que tudo vai recomeçar do zero), o Natal, as viagens, as despedidas, os reencontros, os recomeços, o que começa e o que finda nessa época faz com que seja especial. Claro que ocorre nas outras estações também, mas parece que é nesse fim de Novembro, começo de Dezembro que cada gesto, cada sentimento se intensifica. Mas é justo, justíssimo, afinal tudo-ao-mesmo-tempo-agora sempre acaba deixando as pessoas mais transparentes.

 

Eu fico naquele estado de quem não quer que acabe mas mal posso esperar o novo chegar. É uma dualidade insuportável às vezes. De férias então as coisas só pioram: o que fazer com esse tempo? Ainda tenho um fator essencial para antes de qualquer coisa que é passar de ano e me formar no Ensino Médio. A incerteza reina nesse tempo vago, esse espaço aberto pra pensar em coisas que podem dar errado, tais como repetir de ano.

Tempo, tempo, tempo, tempo... Vamos ao espaço.

           

         Muito melhor utilizado do que em outras estações, os lugares de tão cheio acabam fazendo as pessoas se encontrarem. Numa noite como hoje, por exemplo, quem agüenta ficar em casa? Os bares estão repletos de cadeiras nas ruas todo dia.

E o calor à noite? Esse é inspirador...

 

Outro ponto positivo para o ócio sob o sol é poder sair casualmente e ver o dia, aproveitar pelos mesmos lugares que eu sempre vou mas com outro olhar, flertando com a vida. Também brinco de “vamos ver no que a cidade pode se transformar” das coisas. E só assim, andar por São Paulo pode ser um encontro do lado mais bonito do Rio no Leblon  pela manhã, com o Upper East Side de Manhattan à tarde. Não é fácil, mas é possível.

 

Daqui até Fevereiro tem muito chão. E como 2007 não terminou oficialmente ainda, eu voltei pra desejar feliz Natal, feliz Ano Novo, bons feriados e para quem não ama muito tudo isso (essa onda de “o que você vai contar para os seus netos”), paciência. Para quem quer ter muito o que contar, arriba! Mas sempre com aquele cuidado, com juízo. Com toda liberdade e alegria para o que pode o bem, aí sim, sem juízo algum.

 

Mais no mais, é a mesma letra para uma música aquilo que eu continuo procurando e esperando que todos encontrem algum dia. Não só de um lado da vida, mas de todos.

Logo mais é 2008 é tudo passou tão depressa...

            (O segredo da vez é a tristeza de deixar um lado tão único da minha vida que é o São Luis e me lançar em outra vida. Fim da escola... Nem vou começar, isso é outro assunto.)

             

            Prazer enorme em dizer que eu aproveitei sim, tudo o que podia e não podia, o que deveria e mais um pouco. E sob o Sol.

 

            Pedro.

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Escrito por Pedro.Peter.Drão às 14h52
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Navega

Navega é o nome do disco que eu mais tenho o ouvido ultimamente. De uma cantora chamada Mayra Andrade, que eu conheci através de um dos melhores blogs musicais que existia chamado No Mínimo, que o Paulo Roberto Pires escrevia. Ele me deu a dica, eu fui atrás, e como não vende no Brasil, tive que baixar mesmo.

Não sei se foi o título que me atraiu, “Navega”... ? Navega aonde? Porque? A troco de que? Pra se encontrar com quem? Ou se foi a crítica do Paulo, mas sei que ele acertou. É um disco que eu tinha que ouvir. Denso, bravo, intenso mesmo nos momentos leves. Deve ter letras maravilhosas.

Sim... Deve ter. Porque até hoje eu não faço a minha noção do que Mayra Andrade canta. Ela é de Cabo Verde na África e eu não entendo lhufas da língua que ela fala, dos dialetos, nada. Apenas em uma canção consegui traduzir uns versos, mas é uma canção em francês chamada “Comme S’ill En Pleuvalt”, mas foi difícil mesmo assim, com meu francês fraquíssimo tive que ir atrás de um dicionário.

O disco ainda tem uma desculpa: pode-se gostar apenas pela linguagem musical. E isso não acontece toda hora? Ainda mais aqui no Brasil, país super musical onde nem todos entendem inglês, espanhol, francês e ainda gostam das canções, conhecem os artistas do exterior. E vez ou outra, quem nunca foi atrás de uma tradução na Internet ou tentou traduzir uma música sozinho? De certa forma, aquele ritmo que gostamos tem que se complementar com aquilo que pensamos. Ou seja: a música que ouvimos e sentimos tem que ser igual à letra que pensamos.

            E na vida, nossa música tem algo a ver com a letra?

            No real, letra e música = vida e momento.      

A primeira resposta que me vem à cabeça é que ultimamente não há razão pra mais nada fazer sentido. Porque realmente nada mais faz, e sinceramente, está deixando de me incomodar, eu começo a fazer parte desse reality-non-sense-show que as coisas viraram.

            Mas para algumas pessoas não é assim que funciona. E perceber que eu não sou mais o cara que conheceram incomoda sim. E não adianta me fingir de morto que continua incomodando. Perceber isso me traz de volta a vontade de ter minha vida condizente com meu momento, mesmo que isso custe não apenas aceitar e dizer que as coisas estão erradas com todos e isso influencia em mim (e esperar que se conformem com isso). Mas também voltar a questionar o errado. Voltar a ser o que eu era - letra e música.       

            Uma amiga veio me dizer esses dias que eu estou horrível perto do que eu fui quando ela me conheceu. E eu lembro (e ela lembra) que eu disse há um tempo atrás que as coisas não estavam muito satisfatórias comigo, e que eu andava meio confuso. Ela diz que entendeu, mas mesmo assim me cobrou. Porque me viu e percebeu que eu estava sendo “como eu costumava ser” por aí, com as pessoas e não com ela. E o que eu vou dizer?

- Olha, desculpa, eu não sou bom como eu era antes (e como você quer que eu seja) porque

quando eu estou com você, minha vida não é a mesma que o meu momento.

O que será que ela vai pensar?

 

Penso em casa, como as coisas foram ficar tão silenciosas? Porque é tudo monossilábico e básico, sendo que em casa nada era básico. Tudo vinha com comentários, tudo tinha algo mais a ser dito, tudo na minha vida em casa era momento de estar em casa. Agora parece que é um lugar de sair. Minha vida é aqui dentro e meu momento é na rua.

É engraçado porque minha mãe sempre dizia pra mim,  quando eu e ela estávamos em férias,  que a gente até se esquece que lugar de estar é em casa e não na rua. Mas tanto tempo fora, a gente até se esquece o que se faz em casa. O que são as coisas para se fazer em casa comparadas com as coisas que há pra se fazer na rua?  E até hoje eu e ela surtamos se ficarmos muito tempo dentro de casa.

 

Enquanto não há dicionário para se encontrar a tradução do que está acontecendo com  as letras da minha melodia o  que se faz com isso tudo dito? Muda o arranjo? Troca a formação da banda? Afina os instrumentos?  O que se faz pra encontrar a harmonia exata?

A resposta está no título do álbum de Mayra Andrade que vem me traduzindo...

 

Enquanto não há resposta para a harmonia,  se Navega...

 

 

Pedro.

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Escrito por Pedro.Peter.Drão às 23h37
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Está tudo errado mesmo?

 

            Quando eu comecei a ser tão errado? Não, esse não sou eu. Mas de qualquer forma, é o que dizem de mim por aí agora. E eu fico parecendo àquele jovem clichê insuportável de novela das 8 que eu nunca fui e sempre tentei fugir. Nesse texto mesmo, aqui estou eu reclamando da sociedade. Isso não sou eu. Eu amo a sociedade.

             Fugir dos estereótipos no fim das contas é ser um?

            Cada um faz sua própria teoria e eu aceito partes de cada uma delas. Como vieram me dizer que nós estamos perdendo aquele “Q” que só se tem em uma determinada idade. Aquele brilho, aquela coisa única que faz tudo dar certo, mesmo as idéias mais toscas (afinal, o próprio hype foi inventado pelos jovens, sendo que só nós sabemos o que é e como obter - com raras exceções). Como desmentir se tudo o que digam ou falem aponta pra isso: “Olha, vocês ao são mais tão engraçadinhos assim pra gente achar graça”, e dá-lhe sermão antiirresponsabilidade. Pra que? Antigamente eu era muito mais inconseqüente que agora.

Também me disseram que na verdade estamos numa época elegantemente chamada de “Época Pau no Cu”. Aonde fazemos as mesmas coisas de antes, mas somos criticados por isso. Então, passar noites em claro escrevendo pro blog não é mais tão legal. Antes eu era incentivado a isso. Agora só se eu for prestar um vestibular pra Letras eu continuo tendo esse direito. Caso contrário, passar em noite em claro escrevendo vira “pau no cu” (que seria algo como dispensável neste caso).

Há quem diga que é a preparação pro mundo careta, leia-se adulto, e todos passaram por isso mas esqueceram. É a tese mais clichê de todas, nem vale a pena comentar.

Explicações, conclusões sempre vão aparecer. Nenhuma completa, nenhuma satisfatória, mas e aí? O que fazer quando todos parecem estar tão errados? Até aquele mais certinho, o CDF da sala, ele também está no mesmo barco que eu, e pela primeira vez, fala a mesma língua. São tantos paradoxos, tantos erros, que fica difícil administrar. Imagine um grupo de pessoas correndo na contramão, sem saber. É aí que a gente se encontra.

Meu maior exemplo, foi um amigo que desde sempre quis entrar para a Marinha, e todos sabem que estar ali não é pra qualquer um não, tem que ser o cara. Ou aprendiz do cara. Eu nunca conheci ninguém tão esforçado e com tanto motivo pra se esforçado. Ele sabia o que queria e todos viam que ele ia chegar lá. Eu mesmo sentia orgulho dele, por ele saber das coisas que queria e ir atrás para alcançar algo. E me sentia um idiota com  um monte de informações sobre coisas que talvez eu nunca utilizasse.

            Pois bem. Ele conseguiu. E saiu! Simplesmente não era aquilo.

            Imagina só, se eu com as  minhas informações, consigo entrar numa facul pública e descubro que ... Jornalismo não é a minha. Suponho que terei que ir até o fim. Afinal, eu não tenho mais aquele “Q” da juventude pra fazer o que eu quero, nem seria tão pau no cu com todos que esperam tanto de mim.

            Presentemente, aqui em casa andam dizendo que eu preciso mesmo é fazer algo. Mas fazer o que? Não dá pra ter qualquer tipo de comprometimento além do meu colégio que eu tenho que domar todo santo dia. Mesmo já tendo me acostumado com isso.

            Pra mim é o seguinte... Eu to puxando um freio forte pra poder aproveitar esse tempo. Porque é o que dizem: não volta. E eu sei o que é ter um tempo que não volta e me arrepender por não ter sido mais solto, mais eu, mais porraloca também.

             Também não é o caso de uma batalha pais x filhos. Eu estou bem longe da geração 80, aquela coisa Renato Russo de ficar querendo mudar o mundo com 2 acordes de guitarra. O caso é muita gente questionando o que é felicidade, o que vai trazer felicidade a longo prazo. Isso não existe. O que existe é o agora, e o esforço do agora, a alegria a satisfação. E as coisas que esse agora traz.

 

Já que eu estou aqui, não quero pensar muito no que amanhã vai ser. Eu quero ter tudo daqui primeiro. Tudo desse tempo, tudo o que eu posso ter. Mesmo já tendo tanto, não é suficiente. Parece exagero, mas não é, não aceito arrependimentos depois. Tudo tem seu tempo, eu também tenho o meu. Nós temos os nossos. E é por isso que, no fim das contas, nós sempre nos damos melhor. Por isso evoluímos e quebramos padrões, preconceitos e erros do passado.

Mesmo que não acreditem nisso.

 

Pedro.

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Escrito por Pedro.Peter.Drão às 00h40
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Sobre padrões, retornos, recomeços e limites.

     Enquanto eu pensava em motivos para dizer às pessoas que comentaram no blog porque eu andava sumido, eu passei pela sempre estranha experiência de deja-vu. Será que na minha vida passada eu á havia passado por isso? Pode ser... Afinal o que anda circulando por aí é que eu já tive 11 vidas passadas. E resolvi me contentar com essa resposta. Ao menos até lembrar que eu já havia me afastado por meses do blog sem nenhuma razão, sem nenhuma falta de vontade e sem nenhuma crise de inspiração.

     A verdade é que não existe uma desculpa ou um motivo para isso (ok, o colégio e as férias fazem parte disso, mas não é apenas isso), simplesmente é. E depois de tanto tempo não há como não fazer parecer como um recomeço, uma outra pessoa está escrevendo esse texto agora, o mesmo eu, mas diferente depois de algum tempo. Será esse novo “eu” que escreve, uma versão definitiva de mim, ou será que mais cedo ou mais tarde eu vou desaparecer novamente para depois voltar a esse antigo blog?

     

     Todos nós temos padrões que nos fazem sentir confortáveis, seguros e dependentes? Se a resposta for positiva, até aonde esses padrões nos deixam ir quando nos livramos deles?

     

Em busca de respostas para essa pergunta e com tempo disponível para tudo (de férias) eu saí com uns amigos. Dois deles tinham padrões familiares mas extremamente distintos, eram praticamente X e Y. Exceto pelo fato de serem músicos e talvez nem por isso. X é um DJ que trabalha em um banco e Y um saxofonista desiludido que resolveu fazer administração.

     O DJ era um caso clássico de tradicionalismo, conhecia muito bem sobre a cultura da música eletrônica, e por isso não se deixava levar por qualquer tendência, como o tão falado “psycho music” (ele me ensinou que na verdade não se fala “psy” mas apenas “sy” ou “sai”). Seu modo de ouvir música era único e clássico. Parecia que tudo e todos que estavam perto dele estavam seguindo alguma tendência que ia passar em minutos: Maria Rita, The Killers, Jack Johnson, D2, Da Lua. Ninguém escapava de ser uma moda.

 Depois ele me mandou um Cd com algumas coisas que ele havia feito, produção dele mesmo, e eu percebi que esse padrão de apenas acreditar no que já havia sido feito se tornara um pecado, especialmente para um DJ. Tudo o que eu ouvi me soou como se já fosse feito por alguém, independente de ser boa ou ruim, aquela batida não soava apenas familiar, nem antiga, soava copiada.    

     Por outro lado o saxofonista seguia um outro padrão: o de não ter padrões. Ele simplesmente se adaptava a cada onda nova. Na época que eu o conheci, o mundo era o Café PiuPiu, um desses barzinhos com o resumo do supra-sumo musical. Mas agora pra ele já é pré-histórico, coisa de vidas passadas. E eu percebi que era mesmo, o Barreto e o Bourbon Street também eram, o Brad Mehldau, o Jamie Cullum, a Vanessa da Mata, a Céu e a Mariana Aydar já eram velharias. Nada parava. Perto dele, eu era aquele cara que colecionava vinis que já não tinham valor algum, mesmo se fossem do Pink Floyd, mesmo se fossem do Chet Baker. Era impossível de acreditar que Miles Davis não era moderno o suficiente pra ele.

      Não pude negar o convite de ver o ensaio da banda dele, e no fim das contas , as músicas e os temas se mostraram muito modernos para esse... milênio. Falando sério, tudo se misturou muito e não havia seqüência ou continuidade. Parecia um festival de notas soltas. Não era moderno, era apenas disritimado. E agora, tudo o que era “o novo do novo” também não fazia sentido algum.  

      Em busca de respostas, encontrei mais perguntas. Será que nada mudou do antigo dono do blog para o novo? Ele continua se parecendo consigo mesmo?  Ou ele saiu e voltou como alguém que mal se reconhece mais? Sou tão volúvel e superficial?

     Para alguém cujo padrão é recomeçar do zero para explicar melhor seu tempo e sempre levando a mesma bagagem emocional de tudo o que se passou, eu prefiro não deixar a balança pender totalmente para nenhum dos lados. Não quero ter ficado no passado, mas não estou um dia a mais a frente do meu tempo. Apenas estar, aqui e agora, fazem qualquer tentativa de recomeço (mesmo sendo um padrão) valerem a pena.

Pedro.

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Escrito por Pedro às 18h57
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Perto por demais e por pouco

 

Começou tudo muito cedo, quando ele pediu pra eu prestar um depoimento para o amigo dele, o Toddy, que está fazendo sobre a rua Augusta, e eu fui com aquele medo de falar merda...  De estragar tudo. Fui, depus, e nós fomos pro Cascais, como é de praxe. E naquela conversa boa, fluindo, eu pensava em como era bom sair e poder conversar normal, numa boa... Quando sai toda “a galera” é mais complicado, não sei o que acontece, é divertido, mas muito assunto bom se perde no meio da algazarra e fica meio chato. Mas é claro que depende da “galera”.

Depois foi ficando tarde e o Cascais foi ficando mais lotado... O Toddy foi embora, ele e eu estávamos naquela de conversar a qualquer custo. Parece que eu devo explicações a ele, e eu devo mesmo, por motivos que nem eu sei dizer. Mas devem ser bons o suficiente para eu acreditar neles.

Entardeceu e nós fomos prum lugar sem nome. Foi o que tinha de ser como dizia o poeta.

Era um lugar intimista, um cara tocando violão, cantando bem, cantando o óbvio, mas com bom gosto. E eu lembrava das coisas, dos lugares em que eu tinha ouvido aquelas canções, e ele não. Era MPB. Mesmo assim era importante ele saber daquilo tudo, eu precisava ter a certeza de que ele sabia que eu estava gostando do lugar que ele achou parecido comigo. E de fato, o lugar naquele dia estava muito parecido comigo.

Como eu sou muito diferente dele, pensava nas pessoas que eu tinha combinado de sair e nem desmarquei, não dei satisfação alguma. Como estariam? Mas pensando melhor, se eu tivesse a chance de trazer elas pra cá agora, não as traria. Enquanto isso ele me dizia o top 5 de discos que tinham marcado a infância dele. Top 5 livros, top 5 discos, top 5 diretores de cinema, top 5 filmes, top 5 canções dos Beatles.    

 Não, eu realmente não devo dar satisfações a ninguém, ele vai dizer que eu me importo demais com todo mundo, que fazer relações publicas no colégio já cansou. Mas na verdade nenhum dos dois precisa fazer mais isso, eu faço por gostar mesmo das pessoas, por saber que elas vão gostar que eu me importe com a presença delas nos lugares. Não gostaria que ninguém se sentisse excluído por um não convite meu. Exceto por agora, por que esse lugar se parece muito comigo, e eu posso mandar as pessoas às favas. No bom sentido, educadamente.      

Essa conversa também me fez lembrar de quando a gente não era nada, e tinha um colégio inteiro pra domar. Como ele foi importante nesse processo, como tem tanta história sobre esse tempo! E como hoje parece tudo muito fácil, foi divertido fazer isso, com cada conquista oculta para as pessoas (vista apenas por quem realmente joga o jogo) eu me divertia, nós nos divertíamos mais. E agora (ambos concordam) não pertencemos mais naquele lugar. Parece missão comprida, mas a verdade é que é missão cumprida.

Estávamos lá, como sempre estivemos, num Sábado de chuva, num tempo frio e a gente feliz à beça relembrando as coisas, falando da gente, muito bem aliás. E eu senti uma falta absurda de estar com ele. E não sabia disso. Parece que o mundo dá umas voltas malucas, eu conheci outras pessoas, conheci outros lugares, me diverti muito, mas depois eu sempre volto pra lá, com ele lá. E soa perfeito. Porque às vezes perfeito não é alguém que te entenda, é alguém que esteja no mesmo nível que você. É poder ser um nostálgico sem vergonha nenhuma de sê-lo, ouvir musicas, contar casos, lembrar das pessoas (falar mal delas!) e porque não? Revelar segredos, fazer confissões.

 

Sem fanfarra, sem nenhuma possível distração que não nos deixasse prestar atenção em tudo àquilo que nós sempre vivemos, sempre aprendemos com o outro e nunca falamos um pro outro.

E precisa?

 

     

      ps:Thank's Tyler. It's been a pleasure so far.

Pedro

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Escrito por Pedro às 01h08
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19 de Maio

Dessa janela sozinho

Olhar a cidade me acalma

Estrela vulgar a vagar

Rio e também posso chorar

Mas tenho os olhos tranqüilos

De quem sabe seu preço...

 

 

         O ano nem  importa dizer qual era, mas foi antes de muita coisa boa e terrível acontecer. Eu tinha um destino e uma missão quando tudo era tenso, bravo, e eu recém saído da turma do jogo baixo. Mas as pessoas deixavam tudo muito bem estampado: seus descontentamentos, suas tristezas. Era tudo muito honesto, muito justo comigo e com as chances e decisões que eu estava tendo. Eu nem tinha feito 15.

         Nesse tempo, mais precisamente nas férias, eu costumava sentar em uma sacada imaginária que foi inventada por mim. Não era e até hoje não é uma sacada, na verdade é um piso que fica embaixo da janela do meu quarto de frente pra rua toda, sem muros ao redor, sem apoio, apenas o piso e a vista para tudo ao redor, com o chão da rua embaixo.

         Ficava ali por horas, madrugada inteira lendo meu primeiro livro da Cabala escrito pelo Michel Berg. Queria explicações pra tudo, pra mim, pro caos. Enquanto eu lia repetida e  exaustivamente “Seja uma pessoa melhor”, esperava cair com sacada e tudo na rua, ou então que os fios do poste que fica ao lado, e quase encostam no meu pé, explodissem com alta voltagem.

        O que eu queria mesmo era um lugar meu, e eu tive. Hoje eu não posso mais ocupar esse lugar. Então começo de novo do zero e vejo que pouca coisa realmente mudou. As pessoas parecem ter mudado, mas é mentira. Tudo o que fazem é mascarar sentimentos e bravezas. Mas como diz o ditado: você pode mudar sua aparência, mas não a sua natureza. E eu sempre acreditei nisso. A prova maior é estar no mesmo lugar depois de tanto tempo, e tendo que passar por tantas perguntas, tantos questionamentos, e saber que eu vou conseguir atravessar isso de novo.

          Quanto às pessoas: elas caem em si, hora ou outra.

          No mais, ficar no quintal ou na sala, acordar as seis da manhã ou as duas da tarde, dormir as cinco ou as oito da noite, encher copos de segunda ou de sexta... Sempre vai parecer uma fuga. Um escape.

 

           A verdade é que ninguém sabe o caos que existe nessa sacada.

  

 

Pedro.

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Escrito por Pedro às 13h52
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Irremediável Imortal

Por velhos, vãos motivos

Mistério há sempre de pintar

Como quem lê um livro

Com melodia por traçar

 

         Existe uma tremenda falta de imaginação na minha cuca. E isso me irrita, sempre irritou. Parte disso vem do fato de eu nunca ter conseguido inventar histórias, relatar coisas que eu invento (se eu conseguisse!), escrever algo com começo meio e fim como todos os escritores fazem. Até tentei, mas a super imaginação não deixou, a história fica gigante e sem fim, Alice no país das maravilhas sempre foi mais meu forte, algo mais próximo de mim. Aquelas ilusões reais, aquela coisa de tudo ter vida... Aquilo é muito mais próximo de mim do que qualquer história real que já ouvi.

         Tudo o que escrevo é autobiográfico. Tanto faz se sou eu, algum familiar, um amigo ou um desconhecido, tudo é meu e por isso passa a ser incrível, passa a ser fantasioso. Por ser real. =/   

Vai entender... Mas pra mim é só por isso que vale a pena escrever, pra ser personagem desse filme, desse livro. E é por isso também que eu sumo. Preciso sumir. Pra poder viver mais, entender um pouco mais das coisas e poder voltar mais pronto pra relatar a fantasia da vida real.

*

Prosseguindo... Desde a Semana Santa Jovem 2 que foi em Abril, muita coisa já se passou, e pouco tempo foi dedicado a essas coisas: a devida importância que elas tem, o real valor que elas tem. Então os acontecimentos foram digeridos todos iguais, como se todos realmente tivessem o mesmo valor. Mas se o tempo passa e tentar mudar isso não vai adiantar, portanto fica ao menos o registro de que eu parei para pensar bem em tudo.

         Pessoas compartilharam segredos comigo mas sobre coisas que não são da minha conta mesmo, traições aconteceram também, mas nenhuma delas tinha alguma relação comigo (e só Deus sabe porque eu fui saber delas!), planos, agendas, fatos, acasos e nada que me prendesse a qualquer coisa. Será que essas coisas têm o valor que eu demonstrei as pessoas que elas tinham? No fundo algum valor existe, mas será que é algo tão profundo assim?

         Afinal, o que isso quis me dizer o tempo todo? Porque teve que fazer parte da minha vida? Alguém espera um relato, uma história ou uma fantasiosa redação? Espero que tenha ficado claro que nada vai ter uma seqüência exata.

         Por mais que eu insista que certas coisas não fizeram diferença, já é tarde e faz parte de mim agora. E mais cedo ou mais tarde ainda, vai mudar tudo mais intensamente ainda.

O que eu espero que faça a diferença na minha vida?

 

 

 

Pedro

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Escrito por Pedro às 19h42
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Momento

 

Que bom que certas coisas nunca perdem seu momento, seu tempo bom.

Até porque essências quando se perdem uma vez não voltam mais, aquela coisa boa de antigamente soa meio forçada.

Um momento único que veio à tona por esses tempos que foi de reencontro. Não foi um simplesmente voltar a alguém que eu havia deixado, até porque nunca nos deixamos, mas foi algo mais profundo. Foi uma semana de pensar um no outro, de rever certas coisas, e de voltar a velhos hábitos que apenas “soulmates” conseguem entender. Nós já havíamos passado por isso antes, por isso parece novamente com aquele momento de antes. Nosso eterno reencontro.

         Outro desses momentos, da minha seção de deja-vù, foi no feriado agora, quando eu viajei. Viajar pro interior é ótimo e eu gosto desse desligamento de São Paulo, que é a cidade que eu moro e tenho paixão, mas é muito ligada no 220V o tempo inteiro. A solução às vezes é sair mesmo pra voltar disposto a toda rotina e toda série de absurdos que acontecem por aqui.

         A volta para as pessoas normalmente é animada e tudo flui normalmente até as coisas voltarem ao normal. Eu não. Eu sou aquela televisão que precisa ficar quente pra funcionar. Se me desligo já tenho aquele tempo de readaptação. E aí é aquele silêncio e eu não falo nada, o olhar num estado contemplativo (aquele jeito “screensaver” de andar), parecendo caipira mesmo, arisco. E pra quem conhece o tipo, isso é completamente o que eu não sou: o falante, o super exposto,  o cara com a opinião... Esse aí demora a voltar.

         Mas tudo bem, é só um momento mesmo. E quem sabe não era hora de uma pausa?

Não sei, se o meu alter-ego partir então saberemos se o que eu espero não é um momento de pensar só em tempo integral. Se não for isso, então é só me adaptar ao que vier, ao que voltar. Um de mim eu sei que vai chegar a qualquer momento, eu não sei qual. Mas sem um de mim eu realmente não consigo viver. Problemas com múltipla personalidade! Tudo no fim se resolve mesmo, então eu já nem me importo. Tenho me importado mais com alguns momentos de receio e de saudade que tem acontecido constantemente.

E disso eu realmente não gosto!

 

Ps: Momento é o nome do disco novo da Bebel Gilberto que não chegou no Brasil ainda. E me traz de volta o mesmo momento de ansiedade que o anterior trouxe, quando eu procurava, procurava e não o encontrava. Isso foi em 2004... E de lá pra cá, quantas vezes eu não tentei escrever um texto igual a esse? 

 

Momentos intensos

Momentos demais

Momentos imensos

Mentiras reais 

 

  

  

 

 

Pedro

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Escrito por Pedro às 00h48
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